Pular para o conteúdo principal

Duas Séries Distópicas Para Instigar Discussão.

Algumas séries podem nos revelar grandes histórias, como também fontes incríveis de análise e discussão. Listarei agora duas séries que se destacaram nos últimos anos não só pela qualidade estética, como também pelas críticas sociais bem construídas e que geraram burburinho na internet e fora dela. São produções consideradas distópicas, histórias embebidas em realidades alternativas e em futuros que não trazem o otimismo das utopias - aquilo que é ideal -, mas sim o que é temido - distopia como o inverso da utopia. Confira as produções que podem te encantar e instigar debates com seus colegas, além de te ajudar nos estudos.

Black Mirror (2011-Atual)
A série britânica criada pelo satirista Charlie Brooker foi primeiramente veiculada pelo Channel 4 no Reino Unido, mas teve seus direitos de produção e exibição comprados pela plataforma de streaming Netflix a partir de sua terceira temporada. A produção tem inspiração nas distopias e ficções científicas, sempre pautada em tons satíricos e surreais. Considerada uma série antológica, Black Mirror conta uma história diferente a cada episódio, sendo quase um conjunto de filmes bem roteirizados e produzidos. Com temáticas que envolvem desde as relações étnico-raciais até relacionamentos homoafetivos, a série se destaca pela diversidade de seu elenco e o desenvolvimento de temas que remetem ao mundo contemporâneo ou a um futuro alternativo sob viés pessimista, discutindo desde assuntos mais introspectivos como solidão, relacionamentos amorosos, sexo, até debates complexos envolvendo política, impunidade, autoritarismo, propaganda, sensacionalismo, controle e liberdade com a tecnologia digital, redes sociais, vigilância, dentre outros assuntos. Todos os episódios são incríveis, mas destaco alguns aqui.

1ª Temporada: Hino Nacional, Quinze Milhões de Méritos
2ª Temporada: Volto Já, Urso Branco, Momento Waldo, White Christmas (A temporada inteira)
3ª Temporada: Queda Livre, Manda Quem Pode, San Junipero, Engenharia Reversa, Odiados pela Nação
4ª Temporada: USS Callister, Arkangel, Hang the DJ, Black Museum
5ª Temporada: Striking Vipers

Ainda há o especial "Black Mirror: Bandersnatch", chamado pela própria Netflix de "evento", pois é um filme virtual em que o telespectador escolhe os rumos que o protagonista toma, baseado em opções que o próprio filme disponibiliza para quem assiste. A produção discute liberdade de escolha de uma forma super interessante. Como vocês puderam perceber, eu selecionei quase todos os episódios. Afinal, todos tem sua particularidade. Esses são bem impactantes e podem te fazer pensar e interpretar sobre várias temáticas. Como é uma antologia, você assiste na ordem que lhe convém.

The Handmaid's Tale - O Conto da Aia (2017-Atual)
A série produzida pela plataforma Hulu é baseada no romance homônimo da escritora Margareth Atwood e é ambientada em um Estados Unidos transformado por processo revolucionário de um grupo fundamentalista religioso em meio a uma crise ambiental, onde a forma como a mulher é tratada se modifica e ganha ares repressores. O governo intitulado Gilead, dividiu a sociedade em várias castas, tendo as poucas mulheres férteis restantes a função de se tornarem escravas sexuais de casais e famílias que não podem ter filhos. Essas mulheres, as chamadas aias, são estupradas e vivem em um regime de servidão. A história gira em torno de uma das aias (Elizabeth Moss), que passa a se rebelar diante desse sistema. A produção foi aclamada e arrastou muitos prêmios, com destaque para a atuação de Elizabeth Moss. Discute liberdade, sororidade, autoritarismo, fundamentalismo, segregação, desigualdade social e de gênero, feminismo e diversos temas que podem te instigar a se apaixonar pelo mundo das distopias.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"A América que os Europeus Encontraram" de Henrique Peregalli.

PEREGALLI, Enrique. A América que os europeus encontraram. - 13ª ed. Rev. Atual. – São Paulo: Atual, 1994. – (Discutindo a história). Com contínuas publicações já feitas, A América que os europeus encontraram é uma obra pertencente a coleção de pequenos livros acadêmicos Discutindo a história , sendo este volume assinado pelo uruguaio radicado no Brasil, Enrique Peregalli. Formado em Filosofia pelo Instituto Filosófico e Teológico do Uruguai, tendo se mudado para o Brasil mediante pressões do governo militar uruguaio, que derrubou sindicatos e movimentos do país, Peregalli também cursou História na USP e concluiu seu doutorado em História da América. Com esse histórico, podemos imaginar um pouco da inquietante narrativa deste estudioso das culturas nativas ameríndias. Dividido em sete capítulos, A América que os europeus encontraram traz ao conhecimento do público uma narrativa de revolta e concernente com nuances marxistas, fazendo de Peregalli integrante do grupo de analistas do...

Admirável mundo novo do pensamento independente: criando autonomia e independência no processo educacional a partir de A Pedagogia da Autonomia

(Imagens de duas edições da obra. Realizei a leitura e resenha utilizando da edição da segunda imagem). Informações:   Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa/ Paulo Freire — São Paulo: Paz e Terra, 2001 — 18ª edição (Coleção Leituras) 168 páginas ) (Fonte:  https://novaescola.org.br/conteudo/460/mentor-educacao-consciencia ) Admirável mundo novo do pensamento independente  Resenha De uma coisa, qualquer texto necessita: que o leitor ou a leitora a ele se entregue de forma crítica, crescentemente curiosa. É isto o que este texto espera de você, que acabou de ler estas “Primeiras Palavras'' (FREIRE, 1996, p. 22).  Publicado em 1996 por Paulo Freire, o conhecidíssimo educador, divulgador e filósofo, A Pedagogia da Autonomia foi seu último livro escrito ainda em vida. Nordestino, nascido a 19 de setembro de 1921 em Recife, cursou direito pela faculdade de Direito de Recife, mas nunca chegou a exercer a profissão, pois se viu “enfeitiçado” pela ...

Metáforas do Mundo no Cinema: Seis Filmes para Aguçar sua Interpretação.

Filmes sempre são uma ótima oportunidade de tratar de temas pertinentes e que podem gerar grandes discussões sobre a história, a temática, personagens e outros elementos dessas produções. Isso se torna ainda mais importante quando tratamos de falar de cinema na sala de aula. Quando se leva um filme para uma turma de estudantes, é necessário saber se a produção é adequada para o público, no que diz respeito a faixa etária, linguagem e complexidade da trama. Também é forçoso pensar sobre aspectos da própria produção, como ano de lançamento, quem produziu, como e com qual intuito foi produzida. Por isso, além do filme, é interessante poder trazer cenas do making off, entrevistas dos atores, atrizes e diretores, além de produtores ou roteiristas. Tudo isso traz mais detalhes e envolvimento na produção que está sendo analisada e auxilia na compreensão do está sendo assistido. Darei algumas sugestões de filmes que podem proporcionar a alunos e professores debates sobre problemas e temas soci...